A minha mãe iria gostar e conhecer a pessoa que ela se está a tornar. Uma miúda inteligente, perpicaz, responsável e com um coração gigante.
Mas por vezes penso que esta vida não é a que quereria lhe dar. Poderia fazer muito mais por ela. Ela está a crescer sozinha, naquele colégio, a tornar-se uma jovem senhora. E sinto que posso perder isso.
O tempo passava a correr na primeira semana. Todas as minhas acções diárias são metódicas e roboticas. Concentradas ao último minuto. Acordo sempre às sete da manhã, depois de me levantar passo pela cozinha e coloco a máquina de café a aquecer, passo pela sala e ligo o computador, e vou tomar banho. Passados dez minutos, já de banho tomado e vestida, passo uma olhada pela minha conta de e-mail enquanto bebo o meu café puro. Muitos dos trabalhos de freelancer que recebo são me enviados logo de manhã, e tinha de estar constantemente actualizada, ler o briefing e me informar do deadline. Depois de todas as minhas tarefas realizadas ia para a estação para ir para a loja. O dia aí passava a correr, quando me apercebia já tinham passado oito horas de trabalho e já ia para casa onde comia uma refeição ligeira e trabalhava. Está era a minha rotina diária.
Ao reflectir sobre toda a minha rotina chego à conclusão que levo uma vida ridícula e aleanada. Mas acima de tudo solitária. Vivo num apartamento demasiado grande para uma pessoa só. Toda a minha vida roda á volta da minha irmã, mas sem qualquer arrependimento, porque estamos as duas sozinhas no mundo. Sei que na minha idade deveria estar a descobrir o mundo que me rodeia, namorar, viajar, fazer amigos novos. A pessoa mais próxima que tenho é a minha melhor amiga, Kristen, e a Sr. Lesley, a gerente da loja onde trabalho. Com o passar do tempo perdi o contacto com os meus amigos da minha cidade natal no Texas, ainda nós comunicamos regularmente, mas a distância fazia com que a relação se tornasse mais impessoal.
Quando tens alguém que depende de ti, acabas por te perder um pouco pelo caminho. Perdes quem és, ou o que queres para ti. E a pergunta é, "quem sou eu?".
Eu não sei quem sou, não sei o que quero, não sei agora nem saberei amanhã.
A solidão apodera-se de mim nos dias em que me pergunto a mim mesma quem sou. Não posso depender de ninguém para responder a essa pergunta, a não ser eu mesma. Para descobri-lo pode demorar um pouco, o timming e a descoberta disso mesmo demorará, mas tem que ser feita para que eu seja feliz.
Não mostro quem sou a ninguém, a não ser à pessoa de quem me sinto mais ligada, sem ser a minha irmã, que é a Kristen, e se tento mostrar a outros faço-o com limitações, e com arestas bem limadas. Porque mostrar-me, dar-me a conhecer é duro.
Nestes anos aprendi a tomar conta de mim, e a defender-me das adversidades. Construí uma barreira defensiva à minha volta, e deixar alguém entrar para dentro dessa mesma barreira, sem ser as pessoas que já se encontram nela, é impensável.
Não confio nas pessoas, ou no destino. O destino maltratou-me, o destino tirou-me no espaço de um ano duas pessoas muito queridas.
E a dor de ficar sem elas fez-me mudar, fez-me crescer e e tornar-me quem sou hoje. Um vazio enorme. Que é muito difícil preencher.
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